O circo está armado em qualquer lugar e em lugar nenhum. Quem fala é o apresentador, mágico, palhaço e também malabarista! Do centro do picadeiro e, vejam! As luzes da ribalta! Ou será o sol nascendo? Aqui estamos abertos num momento de nuance entre o crepúsculo e a alvorada. Bom espetáculo a todos.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Escritos de Viagem No. 3
De certo que andava meio triste, e mesmo que andasse do anoitecer até os primeiros raios da alvorada, só pra ver toda aquela cor retornar ao Mundo, não sabia exatamente se seria por vontade própria, ou apenas fruto de suas andanças. Anseio por viagem.
E é fato que andou pensando em desistir de segurar as rédeas.
Mas o mundo anda tão complicado...
Dos Males do Ser Humano VI: Um Silêncio
Um abrupto momento em que o sol deixou de se refletir na água que ele tanto admirava. Era isto mesmo; água e fogo. O som... E o silêncio. E o Circo Imaginário era tudo o que se queria que fosse.
O entardecer da felicidade.
E a alma que acorda tarde, vestida de liberdade.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Sobre o Sol...

E então, depois de caminharem por todo aquele campo, vasto e lânguido, decidiram parar, sentar e contemplar o céu. Era a primeira vez que sentiam aquela necessidade de permanecer em silêncio, e olhar para o infinito, e de simplesmente estar ao lado um do outro, sentindo a presença sem interagir de fato. Mas interação havia...
De longe percebia-se ali, nos campos aos arredores do Circo Imaginário, que havia uma ligação, um elo, uma semelhança, talvez. Era dolorosamente inexplicável. O que aliviava era a presença um do outro...
O sol corria depressa. Como num escrito que tantas vezes repetidamente lera durante a noite, falando de todas as histórias de amor sobre a noite e o dia. E ali estavam... No sonho. Há tempos juntos, há tempos caminhando, sentados e contemplando a luz se esvaindo pelo horizonte. O frio e o negro cobrindo o mundo como um manto, mas eles não estavam muito lá interessados com aquelas sensações de temperatura (ou temperamento)!
Era estranho ficar só.
A lua já estava em seu posto; outrora inverno no País do Por do Sol, ou noite no Circo Imaginário... O lugar, realmente, tanto fazia... Tanto fazia também em que tempo estavam... Mais importante que tudo isso era que, entre o amanhecer e a alvorada, entre o pôr do sol e o surgimento da lua... Ali estavam.. Eternos amantes, eternos e amantes.
(Alguém, no fundo, como noutra vez, ria baixinho...)
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Escritos de Viagem No. 2

Da criação do mundo
Um Deus sem deuses viajava vazio pelos ventos cintilantes que sussurravam um semblante de outrora. Não havia tempo ou pensamento; tudo era infinito, tudo era intenso e maleável. Nada era dito ou cantado; não havia palco, não havia estrada. Não havia chão. E então se fez o primeiro gesto orquestral, a primeira grande e divina sensação, que mais tarde seria repartido com tudo quanto fosse inventado: a Solidão.
Mas, de repente, um brilho! Que seria? Apenas uma metáfora distante, fria e cinzenta. Quase cadente; ciente da queda pungente, mas que, de longe, seria chamada de estrela. Era o resquício de uma aquarela, era uma sinfonia em movimento e, por mais que se procurasse, nada ali se conseguia alcançar. Tudo era distante, embora distância não existisse de fato, e mesmo o fato, em si, sendo latente.
Então, inobstante e distante, se fez o que não se sabia ter vindo antes ou depois do primeiro sentimento. O Desejo.
Pois o Deus sem deuses, nômade e viajante, vagou solitário pelo breu profundo de seu próprio Desejo. Já havia criado o bastante para ser divino, já havia transposto Arte a partir do Nada. Teve Medo. E num espasmo titânico, em sua loucura arquitetônica...
Criou o mundo.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Escritos de Viagem No. 1
O quadro de cena e o quadrado mágico;
O quarto de tom.
E tudo agora era saudade...
quarta-feira, 9 de março de 2011
Dos Males do Ser Humano V: Da Incompletude

À noite, choveu. Choveu como há muito não se via; todos à minha volta correram para se proteger da chuva. Mas nós estávamos ali! Dançamos na chuva, andamos de mãos dadas, rodopiamos e caimos na água. Vendo que não era páreo para nós, a triste chuva se foi; e agora dançávamos na praia. Entardecia; nós esperávamos pelo pôr do sol. As ondas, calmas, como sempre; o mar não se atreveria a ficar revolto à nossa presença. Ou será que os atrevidos éramos nós? Rimos bastante. É bom às vezes para nós pensar que somos reis (afinal, realmente somos!). E que reis! Com toda nossa majestade, caímos na areia depois de muito girar em curropio, e olhamos para o céu e para as primeiras estrelas que começaram a aparecer... Azul, laranja, vermelho... O sol estava se pondo, quase tocando o mar. Se quiséssemos, ele poderia parar e ficar ali, na posição que estava, para sempre. Não dizem que nada é para sempre na vida, senão um momento? Para nós seria assim.
- Ah, pare com isso! - diz, rindo, como se realmente quisesse que a brincadeira parasse. Qual de nós disse? Não faz diferença. O desejo infatil (infantil por quê?) de chutar água no outro pertencia a nós mesmo... E ao vento. Que insistia em desarrumar nossos cabelos!
-E daí? Não tem ninguém aqui para nos ver... - Na verdade, nunca teve. Mesmo por que nunca quisemos. Assim, vivemos dia após dia, como eternos irmãos, amigos e amantes, em eternas brincadeiras, numa praia deserta, infinita como a duração do pôr do sol. Para sempre, nós. Eu e o meu sonho.

