quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Interlúdio: Sobre todas as coisas.

Ela sempre desconfiou que havia algo de errado desde o início. Não seria possível uma janela aberta para tudo o que sempre sonhou, sempre pediu e sempre cantou quando eram música seus poemas.
E a imensidão calada, o silêncio tão cortante que lhe roubavam todas as cores que se refletiam sobre aquelas águas tão turvas e salgadas, que por vezes lhe escorriam pelos olhos. Era a mesma imensidão que outrora foi o palco do espetáculo do fim da tarde, quando o Sol simplesmente se recolhe para adormecer no horizonte.

Sobre tudo quanto acreditava, muita coisa sombria lhe rodeava os sentimentos; o medo de amar demais, o medo de ir para não voltar, o medo de ser quem não é. O medo: que atravessava o palco passo a passo, desinibido, a voz que compunha a harmonia; que cravava as unhas no seu próprio coração; que lhe trazia o anseio por viagem. Que lhe construía e lhe reconstituía o amor por mil vezes, como o sol que lhe trazia mil madrugadas, ainda que parecesse se esconder no início da noite.

No início de tudo! E era assim.

Era assim que passeavam de mãos dadas, naquele momento que era só deles, como duas crianças, como duas personagens, indo e voltando pela costa, até a hora de voltar pra casa. Ela e seu Sonho...

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